Durante décadas, a logística foi encarada pelas empresas como um centro de custo inevitável. Um conjunto de processos operacionais necessários para garantir que produtos saíssem de um ponto e chegassem a outro, dentro de prazos razoáveis. Pouco se discutia sobre inteligência, previsibilidade ou retorno sobre o investimento logístico.
Esse cenário, no entanto, está mudando rapidamente. A pressão por eficiência operacional, visibilidade em tempo real e maior controle sobre a jornada do produto somada ao avanço das tecnologias digitais tem levado empresas a repensar radicalmente o papel da logística em seus negócios.
Hoje, a pergunta que se impõe aos líderes é clara: a logística ainda é apenas um custo, ou já se tornou uma alavanca estratégica para o crescimento?
O desafio de enxergar o invisível
Muitos dos custos logísticos são silenciosos. Atrasos em entregas, falta de rastreabilidade, retrabalho em documentos fiscais e baixa integração entre sistemas não aparecem com destaque nos relatórios de desempenho. Mas comprometem margens, afetam a experiência do cliente e geram uma carga operacional que dificulta a escalabilidade.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 12% do custo total das empresas industriais no Brasil está relacionado à logística, percentual que pode ser ainda maior em setores como o alimentício, químico e de varejo. O número é significativo, mas mais relevante ainda é a parcela desse valor que decorre de ineficiências operacionais evitáveis.
Apesar disso, muitas organizações ainda operam com processos fragmentados, uso excessivo de planilhas, baixa digitalização e ausência de visibilidade em tempo real sobre suas operações. Essa abordagem torna a logística reativa, funcionando como um setor que “apaga incêndios”, em vez de antecipar cenários.
Da execução ao planejamento: a virada de chave estratégica
Empresas que conseguiram reverter esse paradigma o fizeram a partir de um ponto comum: reposicionar a logística como um centro de inteligência e decisão.
Essa virada implica em integrar os dados da operação, automatizar processos repetitivos, aplicar tecnologias de roteirização inteligente, adotar indicadores de desempenho consistentes e construir rotinas orientadas a resultados e não apenas à execução.
Ao fazer isso, a logística deixa de ser um gargalo e passa a ser um motor de competitividade. Em vez de responder a problemas, ela os antecipa. Em vez de apenas cumprir prazos, ela reduz custos, melhora margens e fortalece o relacionamento com os clientes.
Essa lógica vem ganhando força no Brasil, especialmente entre empresas com operações logísticas complexas ou de grande volume. Setores como agronegócio, autopeças, construção civil e bens de consumo duráveis estão entre os que mais têm buscado ganhos reais de eficiência e previsibilidade por meio de soluções digitais.
Os pilares de uma logística estratégica
Transformar a logística em estratégia passa por alguns eixos essenciais:
Planejamento inteligente de rotas e cargas, considerando restrições, custos e janelas de entrega;
Automação de tarefas operacionais, como emissão fiscal, envio de documentos e rastreamento de viagens;
Gestão integrada de dados e indicadores, que permita tomadas de decisão rápidas e embasadas;
Comunicação fluida com transportadoras, motoristas e operadores, para mitigar falhas e reduzir ruídos;
Visibilidade em tempo real sobre cada etapa da operação, com alertas e painéis analíticos.
Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de uma mudança de cultura empresarial. As empresas que lideram esse processo colocam a logística na mesa de decisões, lado a lado com marketing, comercial e financeiro, reconhecendo seu papel estratégico no negócio.
Casos de transformação: quando o resultado fala mais alto
Em um estudo de caso conduzido com empresas brasileiras de médio e grande porte, operações que investiram em plataformas logísticas inteligentes registraram economias operacionais superiores a 4%, redução de até 90% em tempos de emissão e comprovação de entregas, além de aumento de lucro líquido em até 36% reflexo direto de maior controle, menor retrabalho e previsibilidade total.
Esses dados evidenciam que a transformação logística não é uma promessa vaga. Ela gera impacto financeiro direto e sustentável.
Onde a tecnologia entra nessa jornada
Nesse contexto, soluções como a da Matrixcargo surgem como facilitadoras dessa transformação. A empresa desenvolveu uma plataforma modular que permiteautomatizar, gerir e otimizar cada etapa da jornada logística, desde o planejamento de fretes, passando pela distribuição de demandas, execução de viagens, até o pagamento, emissão fiscal e a auditoria de fretes, com inteligência artificial embarcada e integração com ERPs e outros sistemas legados. Grandes players como Cargolift, DAF, Tetrapak já se beneficiam da solução e conquistam ganhos significativos.
Embora cada negócio tenha sua particularidade, o princípio é o mesmo: adotar tecnologia a serviço da estratégia, e não da burocracia.
Logística como centro de valor
A logística do futuro não é apenas mais eficiente, ela é mais inteligente. E o futuro começa agora.
Empresas que persistirem em tratar a logística como uma função periférica, centrada no custo, correm o risco de perder competitividade, escala e margem. Por outro lado, aquelas que reconhecem seu potencial estratégico e investem em inteligência operacional abrem caminho para um crescimento mais sólido, controlado e sustentável.
